
Este dia podia ser descrito como um dia azedo, inútil, irritante a ter de viver. Era dia de visita de estudo e, para quem não ia, conjecturava um dia de aulas sem os amigos.
Os corredores do edifício estavam vazios, e o eco avultava de volta ao rapaz de camisola ás riscas. Onde se achavam todos?
Os mistérios não são uma coisa tão complicada como se diz, e era momenta de o desvendar … se ele tivesse resolução.
O destino é uma coisa singular, talvez até mais que a concepção humana, talvez menos. O que leva alguém a compor algo quando, no seu intimo submergido, sabe que é errado?
Sozinho no final da tarde, ás voltas pela escola, é um perigo arriscar-se assim… ninguém… o eco já não subsiste… só a sonância dos carros… cinco horas e 15 minutos, e somente se atende… a sonância dos carros… e um riso macabro…
À ultima volta da escada em caracol olhou no alto do céu negro, muito liso após o temporal de chuva, o cheiro a terra húmida impregnava-se nas suas narinas, o campo de futebol, ele podia ir jogar, mas não havia ninguém com ele.
Todos os dias, ele ia á escola, e encontrava-a desguarnecida. Dia após dia, após dia. E aquele dia parecia estar mais pachorrento. Onze horas e 37 minutos. Inexequível! O sol ainda nem se tinha posto e os carros… não se ouvia, sequer ao aquém, a sonância dos carros…
Os educandos andavam mansamente pelos corredores. Eram seis e meia. Não havia visita de estudo, pessoas extraviadas, chuva, eco… nada. Poderia ter tudo sido um devaneio. O destino é uma coisa singular, talvez até mais que a concepção humana, talvez menos. Nada levaria aquele rapaz a compor algo, quando, no seu intimo submergido, sabe que é errado.
Um sonho?...Será?
O rapaz achou aquilo impossível, mas que remédio teve senão pôr-se a caminho, não tencionava ser punido pela mãe caso chega-se tardiamente a casa.
O rapaz de camisola às riscas não podia expressar, sentia-se vazio, fundeado num mar de negrume só dele, sentia o cheiro a terra húmida impregnado nas suas narinas, a sonância dos carros…e ao longe…
Um riso macabro.
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